Autor: João B. Sundfeld
Data: Novembro - 2010
As projeções demográficas para a população brasileira, nos próximos 30 anos, levam-nos a pesquisar e a avaliar as consequências sobre as empresas, considerando os fatores diretamente vinculados ao envelhecimento da população.
Atualmente, o Brasil ocupa posição invejável no concerto econômico internacional, graças ao desenvolvimento alcançado nos últimos 40 anos, passando por momentos difíceis e retornando aos princípios democráticos e republicanos. Com o Plano Real, recuperamos a credibilidade da moeda, reduzimos os efeitos nocivos de uma inflação desenfreada, distribuímos melhor a riqueza e aumentamos nosso crescimento econômico.
As projeções do IBGE, IPEA e da FGV, indicam que a população brasileira está envelhecendo rapidamente, com a expectativa de vida aumentando de 45 anos em 1940 para 73 anos em 2010, graças aos avanços da medicina e melhorias nas condições de vida da maioria. Do total de habitantes previstos para 2020, 50 milhões terão 50 anos ou mais e, para 2030, teremos 63 milhões nessa faixa de idade.
As perspectivas para as próximas três décadas são boas, porque o consumo “per capita” dos idosos equivale ao dobro da média de jovens e crianças, igual ao padrão de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão e Suécia. A mobilidade social permitiu que as classes de renda de níveis A e B tivessem a incorporação de grande parte da classe C, apesar do ainda significativo número de pessoas não incluídas no contexto do desenvolvimento brasileiro. Portanto, a nosso ver, o Brasil poderá continuar crescendo a taxas anuais de 3,5 a 5% o que não é desprezível.
As empresas, de maneira geral, têm-se beneficiado do enorme progresso na tecnologia e desenvolvido novas técnicas administrativas pela incorporação dos avanços da informática. Entretanto, o aumento da maturidade da população deverá ser capitalizado, considerando o melhor aproveitamento da experiência dos profissionais mais velhos.
Nesse aspecto, não temos observado progressos, porque o tempo em que os mais jovens permanecem empregados na mesma empresa é menor do que há 30 anos, reduzindo as possibilidades de maior aprendizado. A rapidez com que jovens pretendem alcançar promoções, não lhes permite obter maior vivência e experiência nas empresas. O aumento da rotação de pessoal na atualidade é perceptível, para aqueles de acompanham a gestão empresarial e os recursos humanos. Até os anos 70 e 80, os profissionais permaneciam e eram promovidos no mesmo trabalho 5, 10, 20 anos ou mais, crescendo em conhecimentos e tendo maiores oportunidades para exercitar seus estudos técnicos de graduação e pós-graduação.
Assim é que as empresas têm tido dificuldades para preencherem cargos elevados, pela falta de mão-de-obra qualificada, desde níveis operacionais até de gerência. Esta é uma questão muito importante para que as empresas possam se beneficiar da experiência dos mais velhos, que terão a oportunidade de treinar os jovens auxiliando–os a progredirem em suas carreiras, contando, assim, com o apoio dos mais experientes.
A redução da mobilidade dos jovens permitirá às empresas aproveitarem a maturidade dos profissionais mais antigos, utilizando seus conhecimentos para aumento da produtividade, o que não está sendo observado, apesar dos progressos tecnológicos.
Outro aspecto de grande importância a ser considerado, é que o Brasil necessita imprimir novos padrões de competitividade a seus produtos e serviços, diante da acirrada competição da concorrência internacional. A reconhecida criatividade dos brasileiros poderá, em muito, contribuir para a melhoria dos processos produtivos, com aumento da produtividade e redução dos custos relativos e, além permitir aumento da vantagem competitiva.
Podemos antever, para os próximos anos, grandes oportunidades para toda a população brasileira, bem como para as empresas que aqui atuam. Afinal, o Brasil está recebendo grande parcela da poupança mundial, graças à sua atratividade como mercado crescente e ao interesse de empresas multinacionais para investir em nosso país. Para alcançarmos metas futuras de maior progresso e benefícios à população em geral, temos tarefas urgentes a cumprir, tais como:
(*) João B. Sundfeld é economista, mestre em educação, professor de Planejamento Estratégico e Finanças, sócio da Sundfeld & Associados