Administração Financeira e o Capital de Giro

Autor: João B. Sundfeld
Data: Dezembro - 2009

Na visão popular o Capital de Giro (CG) é entendido como o valor disponível para tocar e manter um negócio. De modo geral é isto mesmo. As dúvidas surgem quando se questiona se este “valor” seria composto apenas por dinheiro na mão. Se assim fosse, estaria no Caixa ou em Contas Bancárias, o que não faz sentido porque, dependendo do tipo de negócio, uma empresa movimenta seu dinheiro com a compra de produtos para revender (comércio) ou compra matérias-primas para produzir itens e vendê-los (indústrias). Como veremos a seguir até uma empresa de prestação de serviços, tem seu CG.

A forma mais fácil para se compreender o significado da expressão Capital de Giro, está na leitura do balanço que é preparado por contadores. No lado do ATIVO encontramos as contas representativas do Caixa, Bancos, Duplicatas a Receber e Estoques. No lado do PASSIVO encontramos as contas a pagar para fornecedores e outras origens como aluguéis, telefone, energia, luz, água, gás, combustíveis, folha de pagamentos a empregados, encargos sociais e empréstimos bancários de curto prazo (até 12 meses).

Os contadores dão o título de Circulantes a essas contas do Ativo e do Passivo. A soma dos saldos das contas do Ativo Circulante menos a soma dos saldos das contas do Passivo Circulante, resulta num valor que é o chamado Capital de Giro. É importante repetir que os valores referem-se às operações com prazo de até um ano, tanto para recebimentos quanto de pagamentos.

Compreendido o conteúdo do Capital de Giro, é fácil pensar que o resultado da subtração entre ativos e passivos, poderá resultar em um número positivo ou negativo. Então o capital de giro pode ser negativo? Pode e, nesse caso, a empresa não tem como liquidar suas contas. É verdade, se os passivos forem maiores do que os ativos, o resultado será negativo e a empresa deve mais do que tem a receber. Desastroso e horrível, não? É comum encontrarmos empresas nessa situação por mau Planejamento Financeiro.

Uma Consultoria Empresarial ajudará a evitar esse desastre porque adota metodologias para administrar o Capital de Giro. Uma empresa incapaz de pagar suas contas (passivos circulantes) nas datas de vencimentos é considerada tecnicamente insolvente.  

O Índice de liquidez representa a capacidade da empresa para fazer frente a seus compromissos de curto prazo (12 meses). É calculado dividindo-se os ativos circulantes pelos passivos circulantes. Por exemplo, a indústria ABC tem ativos circulantes no total de R$ 1.500.000,00 e passivos circulantes de R$ 750.000,00. Se dividirmos os ativos pelos passivos, encontraremos o quociente igual a 2 o que significa que para cada R$ 2,00 de ativos ela tem R$ 1,00 de passivos. Portanto, poderá liquidar seus passivos com facilidade.  

Importância do Planejamento Financeiro

Estudiosos do assunto estimam que 40% dos ativos das indústrias, são circulantes e 26% são passivos circulantes (L.Gitman em “Princípios de Administração Financeira”, 10ª edição, Pearson Editora, 2004). Devido à semelhança das práticas administrativas adotadas em países ocidentais, admitimos os mesmos percentuais para empresas brasileiras. Estima-se também que 30% do tempo dos administradores são dedicados ao Planejamento Estratégico Financeiro dos ativos e passivos de curto prazo. Como vemos a boa administração financeira de uma empresa, inclui práticas adequadas na gestão do capital de giro.

(*) João B.Sundfeld, economista, MBA em marketing, mestre em educação. É sócio da                    Sundfeld & Associados - Gestão Empresarial

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