Autor: João B. Sundfeld
Data: Janeiro - 2010
Estudo realizado pela consultoria Deloite em 2009 publicado pela revista Exame, demonstrou que médias e pequenas empresas podem enfrentar, com sucesso, os desafios encontrados no desenvolvimento dos negócios, desde que atentem para alguns indicadores de controle de gestão.
O trabalho analisou procedimentos de 100 empresas bem-sucedidas. Neste artigo destacamos os principais fatores de êxito com os respectivos percentuais classificatórios.
Na década dos anos 90, o principal fator foi o acesso à novas tecnologias com 44%; os investimentos em pessoas chegaram a 41%; a qualidade dos produtos a 39% e a capacidade de produção a 30%.
Para os próximos anos, a partir do ano 2010, previsões indicam que práticas de governança atingirão 48%; investimentos em pessoas beirarão 47%; a entrada em novos mercados será de 46% e o acesso a novas tecnologias será de 43%.
Destacamos dois indicadores com importantes percentuais:
O desenvolvimento de novas tecnologias, com ênfase a partir da segunda metade do século 20, foi uma das causas fundamentais do crescimento de empresas em todo o mundo. Um dos destaques são os lançamentos em novas aplicações de hardwares e softwares, cujos preços declinaram seguidamente, permitindo sua aquisição por maior número de organizações e pessoas físicas.
Já o investimento em pessoas passou por grandes modificações. O foco no dirigente centralizador do passado deu lugar a empreendedores e executivos mais participativos que sabem dividir as tarefas com profissionais deixando de lado preconceitos anacrônicos.
A técnica do “coaching empresarial” tem sido aplicada com sucesso tanto em grandes empresas como em médias e pequenas (PME). Esse novo modelo de administração foi determinante para elevar os desempenhos da empresas brasileiras, levando o Brasil a atingir em 2009, o grau de investimento concedido por todas as agências de “rating” apesar da crise de liquidez iniciada em setembro de 2008 em Wall Street e, até o momento, não totalmente vencida.
Uma recomendação necessária para superar a crise, é manter o equilíbrio, não entrar em pânico, sendo recomendada cautela e atenção para os acontecimentos diários. As PME precisam manter a confiança, pois, se bem administradas, poderão sair da crise em melhor situação do que entraram.
Pesquisas de sobrevivência e mortalidade de empresas mostram que a taxa de mortalidade das empresas até o terceiro ano de atividade é de 53%. Um dos principais fatores dessa mortalidade é a dificuldade na gestão empresarial, causadora de 11% dos fechamentos, com destaque para problemas de planejamento e gestão estratégica.
Para reverter essa situação, segundo a pesquisa, uma das providências a adotar é a profissionalização das empresas e, se necessário, a contratação de consultoria em gestão.
Recentes estudos realizados no Brasil demonstram que 90% das empresas são familiares. Todavia, somente um grupo familiar unido e com objetivos determinados no planejamento estratégico de longo prazo estará preparado para tomar decisões sem atropelos. Atualmente, há uma forte tendência, entre os especialistas em gestão de empresas familiares, para recomendar que os membros da família sejam reunidos num Conselho de Administração ao qual a diretoria profissionalizada responderá.
Apesar disso, notamos que, no estudo realizado pela consultoria Deloite, a família surge como ponto fraco, sendo que apenas 23% das empresas que mais crescem têm um conselho familiar separado da administração. Esse aparente paradoxo pode ser explicado pelas dificuldades das PME empresas, quase sempre familiares, em aceitar a mudança para profissionalizar a administração. Corroborando com essa conclusão, estudos do Sebrae mostraram que 33% das empresas que abriram seu capital ao mercado de ações tiveram que investir em gestão profissional e o fizeram com êxito.
Notícias atuais dão conta que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) já oferece empréstimos às Pequenas e Médias empresas para pagamento em longo prazo. Também o Banco do Brasil oferece o Projer cujas condições financeiras são vantajosas para as PME’s. Trata-se de notícia alvissareira e uma oportunidade para as empresas ampliarem seus negócios, bastando a apresentação de um projeto equilibrado e com bom retorno dos investimentos. As dificuldades para preparar e apresentar um bom projeto são superadas utilizando-se um profissional da área ou uma consultoria. Vale a pena conferir.
(*) João B. Sundfeld é economista, mestre em educação, professor de Planejamento Estratégico e Finanças, sócio da Sundfeld & Associados