Autor: João B. Sundfeld
Data: Janeiro - 2009
Fonte: O Estado de São Paulo
Um estudo realizado pela consultoria Deloite, publicado na edição de outubro na revista Exame PME, demonstra que micro e pequenas empresas podem enfrentar os desafios que encontram no desenvolvimento dos negócios. No entanto, elas devem estar atentas a alguns indicadores revelados pela pesquisa que considerou procedimentos de 100 empresas bem-sucedidas. Destacamos os principais fatores utilizados com os respectivos percentuais classificatórios. Nos últimos três anos , 44% foi o acesso a novas tecnologias; os investimentos em pessoas chegaram a 41%; a qualidade dos produtos a 39% e a cacidade de produção a 30%.
Nos próximos cinco anos, práticas de governança atingirão 48%; investimentos em pessoas cerca de 47%; a entrada em novos mercados será de 46% e o acesso a novas tecnologias será de 43%.
Infere-se dos indicadores citados que o acesso à novas tecnologias e investimentos em pessoas surgem como os fatores mais importantes, tanto no passado como nas previsões para os próximos cinco anos.
O desenvolvimento de novas tecnologias, a partir da segunda metade do século 20, é uma das causas fundamentais para o crescimento de empresas em todo o mundo. Um dos destaques são os lançamentos em novas aplicações de hardwares e softwares, cujos preços declinaram seguidamente, permitindo sua aquisição por maior número de empresas e pessoas.
Em segundo lugar, podemos destacar o investimento em pessoas focando que o dirigente centralizador do passado, deu lugar a empreendedores e executivos mais participativos que sabem dividir as tarefas com profissionais deixando de lado preconceitos anacrônicos.
Esse novo modelo de administração de pequenas e médias empresas foi determinante para elevar nosso desempenho, levando o Brasil a atingir o grau de investimento. A atual crise de liquidez por que passa o sistema financeiro mundial, envolvendo as economias emergentes, é preocupante.
Todavia, como em outras ocasiões, é preciso ter equilíbrio e não entrar em pânico, sendo recomendada cautela e atenção para os acontecimentos diários. As pequenas e médias empresas precisam manter a confiança, pois, se bem administradas, poderão sair da crise em melhor situação. A pesquisa “Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas”, realizada em 2005 (Sebrae-SP), mostrou que a taxa de mortalidade das empresas até o terceiro ano de atividade é de 53%.
Um dos principais fatores dessa mortalidade é a dificuldade na gestão empresarial, causadora de 11% dos fechamentos, com destaque para problemas de planejamento e administração.
Para reverter essa situação, segundo a pesquisa, uma das providências seria a profissionalização e, se necessário, a contratação de consultoria em gestão.
Recentes estudos no Brasil demonstram que 90% das empresas são familiares. Todavia, somente um grupo familiar unido e com objetivos determinados no planejamento estratégico de longo prazo estará preparado para tomar decisões sem atropelos.
Atualmente, há uma forte tendência, entre os especialistas em gestão de empresas de famílias de recomendar a colocação dos membros da família em um conselho ao qual a diretoria profissionalizada responderá. Entretanto, no estudo realizado pela consultoria Deloite, a família surge como ponto fraco, sendo que apenas 23% das empresas que mais crescem têm um conselho familiar separado da administração.
Esse aparente paradoxo pode ser explicado pelas dificuldades das pequenas e médias empresas, quase sempre familiares, em aceitar a mudança para profissionalizar a administração. Corroborando essa conclusão, estudos também do Sebrae mostraram que 33% das empresas que abriram seu capital ao mercado de ações tiveram que investir em gestão profissional.
O jornal O Estado de S.Paulo, de 11.10.08, no caderno de Economia, destaca que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), brevemente receberá empréstimo de US$ 1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento, para financiamentos de longo prazo a micro, pequenas e médias empresas brasileiras, o que é uma notícia alvissareira nos dias atuais e uma oportunidade para as médias empresas ampliarem seus negócios, bastando a apresentação de um projeto equilibrado e com bom retorno dos investimentos.
(*) João Baptista Sundfeld, economista, mestre em Educação, professor de Planejamento Estratégico e Análise Financeira, é sócio da Sundfeld & Associados.