O diagrama de Pareto e a Qualidade dos produtos

Autor: João B. Sundfeld
Data: Janeiro - 2011
Fonte: Portal Qualidade Brasil

Quem foi Vilfredo Pareto? Nascido na Itália em 1848 viveu até 1923. Era economista e sociólogo, tendo desenvolvido seus trabalhos durante parte do século 19 e parte do século 20. Sob esse aspecto foi um privilegiado por ter vivido numa época de descobertas científicas e grande desenvolvimento sócio-econômico e político. Pôde estabelecer as relações entre o inicio da Revolução Industrial e o despertar da Administração Científica, proposta por Frederick Taylor. Dentre seus magníficos trabalhos de análise sociológica e econômica, teve destaque o estudo da distribuição da riqueza entre as populações, concluindo que pequena parcela da população, em geral, mantém a maior parcela das riquezas. Como se depreende do aludido estudo, ainda hoje essa conclusão permanece válida.

Utilizando seus amplos conhecimentos sobre matemática e estatística, divulgou estudos sobre distribuição de frequencia aplicável a quaisquer ocorrências, e propôs sua famosa “Lei de Pareto”, muito conhecida como a “Lei dos 80 – 20”, significando que poucas causas (20) determinam a maior parte dos efeitos (80).

O Diagrama de Pareto é de grande utilidade na administração industrial, para análise de defeitos na manufatura de produtos que, habitualmente representam custos elevados e também importante desgaste na imagem da qualidade dos produtos e da empresa que os produz.  Por exemplo, na análise do significado dos defeitos, utiliza-se a distribuição dos dados relativamente às causas que geram o efeito negativo em ordem decrescente de freqüência, conforme mostrado abaixo (figura 1), avaliando-se seus efeitos financeiros. 

No estudo das causas e efeitos, Pareto antecedeu ao Dr. Kaoru Ishikawa, professor emérito da Universidade de Tókio, o qual desenvolveu conceitos analíticos e propôs o famoso Gráfico de Ishikawa ou Espinha de Peixe, no qual são analisadas, em detalhes, as causas de determinado efeito. Esse método de análise é largamente utilizado para encontrar e solucionar efeitos negativos na produção de bens e serviços, dentro dos Programas de Política de Qualidade (PPQ) ou Qualidade Total (“Introduction to Quality Control” by 3A Corporation, 1988, Tokyo, Japan).

A identificação/notificação dos problemas permitirá que nos debrucemos sobre a solução das questões que representam maior valor agregado, evitando a perda de tempo com pequenos problemas que, no final e ao cabo, têm pouco valor. A eliminação dos problemas nos permitirá obter significativos benefícios, tanto na redução de perdas com a conseqüente redução de custos, quanto possibilita a transferência da redução de custos, se for conveniente, para uma redução de preços de venda, aumentando a competitividade do produto.

Geralmente, os grandes problemas são negligenciados por envolverem diversos departamentos e serem considerados de difícil solução, enquanto que os pequenos problemas são resolvidos num piscar de olhos. Entretanto, os benefícios dessa solução representam pequeno valor. Quando uma empresa se empenha num programa sério de Política de Qualidade, é importante construir um sistema de cooperação, no qual todas as pessoas envolvidas trabalham em conjunto para eliminar defeitos e suas causas, começando pelos de maior valor ou cuja complexidade exigirá a participação de vários departamentos. Por essa razão, Pareto utilizava o termo “ofelimidade” que significa qualidade do que é útil, ou seja, de grande utilidade, proveito e vantagem. 

Ao preparar o Diagrama de Pareto deve-se cuidar para os seguintes pontos importantes, conforme lembra o Dr.Ishikawa:

  1. Sempre registrar o número total de itens, valor monetário e datas de coleta dos dados.
  2. Tão logo seja possível, estratificar os dados pelas diferentes causas, tipos de defeitos e outros detalhes de acordo com o negócio da empresa.
  3. Sempre que possível, expressar perdas em termos monetários em lugar de quantidade de defeitos, taxas, etc.
  4. Pense no propósito de preparar o diagrama quando decidir o período de coleta de dados. Esse período não deve ser muito pequeno e não tão longo que inclua ações corretivas.
  5. Se alguma ação corretiva for adotada, sugere-se que seja preparado o diagrama antes e depois das ações para verificar os resultados.
  6. Se for possível, estratifique o diagrama de Pareto por máquina, época, etc.
  7. Separe os principais problemas com detalhes e prepare diagramas de Pareto para cada um deles

A seguir destacamos alguns pontos a serem considerados quando da interpretação do diagrama de Pareto.

A - Sempre comece com o problema que trará maiores benefícios.
B - Forme equipes com pessoas dos departamentos relevantes e envolvidos na solução e os mantenha em ações cooperativas para encontrar a solução.
C - Demonstre os efeitos em novos diagramas de Pareto, para períodos curtos, para verificar os benefícios ou se as condições mudaram.
D - Se os defeitos mais frequentes continuarem, isso mostra que há falhas nos processos de produção e/ou nos controles.
Os estudos desenvolvidos no Brasil para programas da qualidade foram iniciados na década dos anos 70 e até hoje são perpetuados na melhores empresas do País.

(*) João Baptista Sundfeld, economista, mestre em Educação, professor de Planejamento Estratégico e Análise Financeira, é sócio da Sundfeld & Associados.