Líderes para o Futuro

Autor: João B. Sundfeld
Data: Setembro - 2005
Fonte: Revista Leaders

O mundo necessita líderes para solucionar problemas e criar melhores condições de vida futura para as pessoas. Entretanto, há grande desencantamento com as atitudes de certos líderes, especialmente na política, em que muitos, depois de eleitos, mudam atitudes e até de ideologia.

Nas empresas também vemos presidentes guindados a posições de grande poder, com remunerações elevadas e que, no entanto, ostentam realizações pífias e sequer contemplam parcialmente o que deles se esperava. Diante desse quadro concluímos que a maneira como estamos forjando nossos líderes não está resultando em pessoas comprometidas com os objetivos e metas delas esperados. O tema liderança merece considerações profundas e, dessa forma, propomo-nos nesse artigo, examinar apenas a dimensão empresarial e identificar qual a melhor condição para formar líderes.

Na 9ª. Edição do livro O Líder do Futuro, da Peter Drucker Foundation, (Editora Futura, 2002), em que foram compilados artigos escritos por presidentes de empresas, professores e autores renomados sobre o tema, encontramos em James Bolt (p.169) considerações baseadas em sua experiência de 16 anos como responsável pela educação executiva na IBM. A complexidade e a volatilidade das novas regras do mercado globalizado têm demonstrado a carência de lideres. Até o final do século 20 assumia-se que os executivos deveriam ser preparados para gerenciar as empresas. O famoso consultor e escritor Warren Bennis, em 1996, depois de estudar a vida profissional de 90 executivos de empresas listadas na revista Fortune 500, realiza clara distinção entre gerenciar – que é fazer a coisa corretamente - e liderar – que é fazer a coisa certa. Ambas são funções importantíssimas e profundamente diferentes. De fato, temos grande quantidade de bons gerentes, excepcionalmente talentosos, porém poucos estão aptos a exercer a liderança, na qual é imprescindível a combinação de competência e caráter. Para atingir a perfeita combinação, Bolt propõe os seguintes métodos para orientar a formação de líderes:

  1. Educação executiva interna, por meio da identificação das falhas do treinamento em geral voltado para áreas técnicas e profissionais. Educar, diferentemente de treinar, é mudar a maneira de pensar, criando novas formas de refletir, analisar e decidir.
  2. Programas educacionais externos, para desenvolver conceitos que envolvem a lideranças tais como: liderar em um mercado globalizado, construir e conduzir uma organização focada no cliente, liderança pela qualidade total, desenvolver uma organização inovadora e criativa, voltada para o aprendizado e pensamento estratégico. Estes programas deverão incluir estudos das teorias clássicas e contemporâneas sobre liderança, envolver os funcionários com o empowerment (delegação de poderes) e, finalmente, desenvolver visão, objetivos, valores, metas, prioridades pessoais, compreensão da natureza das ciências, artes e dos aspectos humanos.
  3. Planejamento da sucessão, examinando aspectos como melhorias contínuas na formação dos executivos a partir do sistema de recrutamento e seleção e preenchendo lacunas, preparando-os para futuros cargos de liderança. Somente seguindo essa trilogia estaremos colaborando, efetivamente, com a geração de líderes para o futuro.

(*) João Baptista Sundfeld, economista, mestre em Educação, professor de Planejamento Estratégico e Análise Financeira, é sócio da Sundfeld & Associados.