Seis Sigma - Um sistema que aumenta os lucros

Autor: João B. Sundfeld
Data: Março - 2009

As estratégias atuais de negócios incluem o sistema Seis Sigma, cuja base encontra-se na utilização de técnicas estatísticas, apoiando uma metodologia estruturada para ganhar o conhecimento necessário e obter melhores produtos com maior rapidez e custos inferiores aos da concorrência. Sigma é a letra do alfabeto grego correspondente ao nosso S. No início dos anos 90, a Motorola (EUA) utilizou as técnicas estatísticas já desenvolvidas nos anos 30 do século XX e elaborou o quadro de Níveis Sigma, abaixo demonstrado, incluindo estimativas do custo da falta de qualidade nos processos (Copyright Motorola).

Nível Sigma Falhas por milhão Perfeição % Custo da falta de qualidade
6 3,4 (0,00034%) 99,99966 Menos de 10% do valor das vendas
5 233 (0,02335%) 99,97665 De 10% a 15%            idem
4 6.210 (0,62100%) 99,37900 De 15% a 20%            idem
3 66.807 (6,68070%) 93,31930 De  20% a 30%           idem
2 308.537 (30,85370%) 69,14630 De  30% a 40%           idem
1 690.000 (69,00000%)      -                  -

Fontes: Breyfogle III, Forrest in Implementing Six Sigma,1999 e Exame 689, pág.78 – jul/99

A história mostra que o conhecimento de técnicas estatísticas de controle de manufatura industrial não é recente. Desde 1931, quando o Dr. W. A. Shewhart, da Bell Laboratories, publicou em New York seu famoso livro "Economic Control of Quality of Manufactured Products", no qual expôs o CEP - Controle Estatístico de Processos e três gráficos de controle sigma, o assunto tornou-se disponível. Em 1950, o Dr.William Deming levou essas técnicas ao Japão e, em 1954, o Dr.Joseph Juran as utilizou em cursos sobre controle da qualidade na indústria japonesa. A partir dos anos 70, os japoneses passaram a competir oferecendo produtos de menor preço e boa qualidade. Tinham vantagens competitivas. Quais seriam os fatores de diferenciação? Pesquisas sobre o assunto demonstraram ao mundo que a diferença não estava apenas no uso de robôs ou inovações tecnológicas em máquinas e equipamentos, mas na utilização da análise estatística aplicada em todos os processos que agregavam valor aos produtos e serviços, com a correção de desvios dos padrões estabelecidos.Os japoneses, além de utilizarem essas técnicas, adicionaram novas práticas, apresentadas por seus mais renomados especialistas, como Ishikawa, Tagushi, Kondo e outros, inserindo-as no TQM - Total Quality Management (Gestão pela Qualidade Total) incorporando As Sete Ferramentas da Qualidade.

 O sistema Seis Sigma pode ser adaptado a qualquer empresa. Em maio de 1980 a rede de televisão americana NBC exibiu um programa intitulado "If Japan Can, Why Can't We?” (Se o Japão pode, por que nós não podemos?). O desafio foi aceito pela Motorola e, na década de 90, em um trabalho de "benchmarking" utilizou dados de empresas conhecidas pelos níveis elevados de satisfação dos clientes e qualidade de produtos e serviços comparados com empresas de desempenho médio que tinham taxas de falhas na faixa de 3.000 a 10.000 por milhão de procedimentos, equivalentes a níveis Sigma 3 ou 4 (ver quadro acima).

A conclusão foi que as melhores empresas obtinham resultados na faixa de 3,4 falhas por milhão de procedimentos. A Motorola fixou como meta, a obtenção do Seis Sigma em 1993. Esse sistema de medição e redução de falhas tornou-se mais conhecido quando a General Electric, a partir de 1995, sob a orientação de seu presidente Jack Welch, passou a analisar todas as suas operações, visando atingir o padrão Sigma 6 no ano 2000. Em 1997 foi anunciado o maior faturamento de todos os tempos da GE com aumento de lucros, tendo sido creditado boa parte desse sucesso ao sistema Seis Sigma.  Até então Welch sempre fora cético quanto à eficácia dos programas da qualidade. O sistema prevê, ainda, treinamentos para formação de agentes de divulgação chamados, em seu maior nível, de “black belts”, trabalhando exclusivamente no treinamento do pessoal para implementar o Six Sigma. Atualmente, no Brasil, muitas empresas utilizam o sistema destacando-se: GE, Dow, 3M, Xerox, Votorantim, Nestlé, Rhodia, Suzano e Carbocloro. (fonte MI Domenech). 

(*)João B. Sundfeld: economista, MBA em Marketing, Mestre em Educação, participou de cursos na AOTS do Japão em 1994 e 1996. É sócio e consultor da Sundfeld & Associados.