História
A história da família Sundfeld originalmente publicada por André Luiz Rodrigues dos Santos (Sundfeld) no seu site sundfeld.meiovirtual.net. O texto abaixo foi minimamente adaptado pelo Webmaster. Por motivos de propriedade intelectual, as figuras foram removidas.
História da Família Sundfeld
Para reconstituir a história da Família Sundfeld foram buscadas informações em diversas fontes, como depoimentos, publicações gerais e, algumas vezes, deduções, já que não foram encontrados dados ou referências oficiais sobre o histórico da família desde suas origens. Uma das publicações foi o livro “Contribuição à História Natural e Geral de Pirassununga (de 1766 até 1975)” - Volume II - 1975 - Manuel Pereira de Godoy -, que traz com riqueza de detalhes a história da cidade de Pirassununga e, consequentemente, das famílias de imigrantes que participaram da sua formação. Traz também alguns relatos sobre membros da família Sundfeld desde sua chegada ao Brasil, no ano de 1865, até o início do século XX.
Sobrenome e Origem
Significado
Há algumas controvérsias sobre o significado deste sobrenome. Traduzido literalmente o significado é:
Sund - Canal, estreito
Feld - Campo, região
SUNDFELD - "Campo do Canal"
Entretanto, algumas histórias de família levam o significado a “um campo alagado na beira do mar e ao entardecer”. Mas independente desta diferença, a origem do sobrenome da família encontra-se nos países nórdicos, trazendo à tona a ascendência viking sobre a linhagem da família.
O canal sobre o qual o sobrenome se refere, o Öresund, localiza-se entre a Suécia e a Dinamarca, e o suposto campo de origem encontra-se no sul da Suécia (veja o mapa abaixo).
Canal Öresund / Øresund
O canal está localizado entre a Suécia e Dinamarca, no mar Báltico, que banha o norte da Alemanha (Deutschland).
Sobre genealogia, um detalhe relevante referente a nomes e sobrenomes é que com o passar do tempo as grafias tendem a sofrer alterações por diferenças de pronúncias regionais, erros gráficos, documentos ilegíveis, etc. Veja exemplo na seção Informações Gerais > Curiosidades, na cópia da certidão original do casamento religioso entre Bento Dix e Joanne Catharina Henriqueta Sundfeld.
Durante as pesquisas foram encontradas em toda a região da Escandinávia (Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia) citações dos sobrenomes SUNDFELT e SUNDFELDT, o que traz margem a especulações sobre possíveis ligações entre essas famílias. Uma das informações obtidas através do contato com um membro da família Sundfelt na Suécia, Bengt Sundfeldt, foi a de que no século XVII, naquela região, ainda existia um sistema social semelhante ao Sistema Feudal, em que uma família, proprietária de uma grande fazenda, contratava pessoas para defender e trabalhar em suas terras (vassalagem), e estas acabavam adotando o nome da fazenda como seu sobrenome. No caso desse contato, seu trisavô possuía uma fazenda de nome Sundfelten. Os soldados que trabalhavam nessa fazenda adotaram o sobrenome Sundfelt e passaram aos seus descendentes, que se mudavam para outras regiões levando consigo o novo sobrenome.
Detalhes do Canal Øresund
O Canal é escrito como Øresund em Dinamarquês e Norueguês e Öresund em Sueco. Ele é o canal que que separa a Dinamarca da Suécia, abriga marcos históricos e culturais de grande importância para a região. Podemos destacar:
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A Pequena Sereia (Den Lille Havfrue): Localizada na costa de Copenhague, esta famosa estátua de bronze foi inspirada no conto de fadas homônimo do autor dinamarquês Hans Christian Andersen. Ela se tornou um dos símbolos mais emblemáticos da cidade e atrai milhões de visitantes todos os anos.
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A Ponte de Øresund (Øresundsbron): Trata-se de uma impressionante obra de engenharia que conecta a capital dinamarquesa, Copenhague, à cidade sueca de Malmö. A estrutura combina uma ponte estaiada com um túnel subaquático, permitindo o tráfego rodoviário e ferroviário internacional entre os dois países.
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O Castelo de Kronborg: Situado em Helsingør, na Dinamarca, este magnífico castelo é mundialmente famoso por servir de cenário para a tragédia Hamlet, de William Shakespeare. Além de sua importância literária, a fortaleza desempenhou um papel geoestratégico vital no controle das passagens marítimas do Mar Báltico.
Origem da Família
A princípio, os primeiros Sundfeld’s conhecidos vieram da região do canal Öresund, mas esta não é uma informação precisa. O mais antigo membro que se sabe é o sr. ANTON HEINRICH SUNDFELD, nascido aproximadamente em 1785, em Hagenow, uma pequena cidade da Alemanha - Estado de Mecklenburg-Vorpommern, e falecido em 1848, em Hamburgo, conforme registro de óbito obtido no Arquivo Nacional da Alemanha (foto perdida).
Alemanha e Hamburgo
A vida dos Sundfeld’s na Alemanha se desenvolveu na cidade de Hamburgo, região norte da Alemanha, separada do Mar do Norte pelos 110 km do rio Elba, seu principal rio. Mas as origens de Hamburgo não estão no Elba, e sim no seu afluente, o rio Alster. No século VIII, em sua margem (na língua saxônica antiga: “ham”), surgiu a primeira povoação perto da foz com o Elba. Por volta de 950 a.C. foi ali construída Hammaburg.
Em 1850, a população urbana era composta por aproximadamente 50.000 pessoas e vinha, aos poucos, se reerguendo de um grande incêndio ocorrido em 1842, no qual um terço da cidade foi destruído. Sua principal referência era seu complexo portuário fundado no ano de 1.189 e que, na segunda metade do século XIX, fez dela o centro comercial mais importante da Europa e o segundo porto depois de Londres. Nessa mesma época, o primeiro navio a vapor de Hamburgo, o “Helen Sloman”, atravessou o oceano Atlântico Norte e, a partir de 1856, dois vapores da Hamburg-Amerika-Linie iniciaram carreiras regulares para Nova Iorque. Hamburgo assistiu ao grande crescimento das suas atividades de importação e exportação. Em 1856, os cais do porto acolhiam mais de 500 navios, um quarto dos quais a vapor.
Ao mesmo tempo em que a modernidade chegava à cidade com o crescimento do comércio pela movimentação do porto e da indústria pelo advento da Revolução Industrial inglesa, a população, ao contrário, sofria com a falta de trabalho pelo excesso de mão-de-obra e pela substituição dos trabalhadores pelas máquinas a vapor, trazendo o desemprego e todas as dificuldades decorrentes da falta de recursos para seu sustento. A única opção, então, foi deixar seu país e se aventurar por outras regiões do mundo em busca de novas oportunidades.
Emigração dos Filhos de Hinrich Anton Sundfeld
Pouco se sabe sobre a história de vida de Anton e seus descendentes, mas das informações obtidas o primeiro a deixar a Alemanha em busca de novas oportunidades foi August, o segundo filho. Juntamente com diversas outras famílias alemãs, embarcou para o Brasil em 1865 acompanhado de sua esposa, Suzanna Karl Friedrich, e seus 7 filhos:
- Henriqueta Karl Friedrick Sundfeld
- Germano Karl Friedrick Sundfeld
- Helena Karl Friedrick Sundfeld
- Maria Agostinha Carolina Sundfeld
- Wilhelm Karl Friedrick Sundfeld (Guilherme)
- Conrado Karl Friedrick Sundfeld
- Johanna Karl Friedrick Sundfeld (Joana)
O filho mais velho de Anton, Johann, continuou vivendo em Hamburgo. Seu neto, Franz Anton Henry Sundfeld, na atividade de marinheiro, navegando pela América Central, adoeceu e desembarcou para tratar-se no porto da Cidade da Guatemala, na Guatemala. Durante sua estada na cidade, conheceu a senhorita Clara Luisa, com quem se casou em 1923 e teve 4 filhos, ficando em definitivo naquele país.
Não se tem notícias da história de Franz, terceiro filho de Anton.
De um modo geral, em se tratando de registros e documentação de nascimento, matrimônio e óbito e de saída de emigrantes daquela região, pelo fato da Alemanha - mesmo a Europa como um todo - estar passando por grande crise econômico-social naquele período, eles acabaram saindo em embarcações ilegais, não controladas pelo governo, por isso a dificuldade para coletar informações oficiais.
A Viagem até o Brasil
No século XIX, as viagens marítimas transatlânticas eram feitas por meio de grandes veleiros que vinham sendo gradativamente substituídos pelos navios veleiro-vapores nas suas últimas décadas. Os veleiros tinham capacidade para até 200 passageiros e as viagens da Europa ao Brasil duravam em média cinco semanas, com todos os riscos e perigos que se pode imaginar - doenças, partos, comida precária, naufrágios… Já os navios veleiro-vapores, de maior porte, suportavam mais de 500 passageiros e a mesma viagem não passava de duas semanas, além de oferecer mais conforto e segurança. Tal privilégio tinha seu preço, naturalmente, sendo inacessível a grande parte dos viajantes.
Hamburgo destacava-se como um dos principais portos da Europa e seu movimento era enorme para os padrões daquela época. Os destinos das embarcações eram os mais variados, cobrindo praticamente todas as regiões do mundo. Linhas de tráfego regulares diretas e indiretas já haviam sido estabelecidas para diversos países, inclusive para o Brasil, cujos principais portos, Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP), já se apresentavam como as grandes portas do país. Nesses portos, além da movimentação de cargas, fruto da grande quantidade de importações e exportações (produtos alimentícios, como o café e açúcar, e produtos manufaturados, como ferramentas, vestuário e mobiliário), encontrava-se também o tráfego intenso de imigrantes que chegavam aos milhares da Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Suíça, dentre outros países, em busca de uma nova vida com esperanças de riquezas, alegrias e fartura.
No que se refere a August C. Sundfeld e sua família, não se tem registro de datas, tipo de embarcação ou local de desembarque utilizados para vir ao Brasil. Os poucos dados obtidos sobre sua chegada estão registrados no livro “Contribuição à História Natural e Geral de Pirassununga” (Manuel Pereira de Godoy - 1975). Nele estão registrados os anos de chegada de diversas famílias estrangeiras a Pirassununga e algumas citações sobre rotas de tropeiros, que se serviam de equinos e muares, e carros-de-boi, que chegavam à cidade vindos da capital da província, São Paulo, e dos portos de Santos e Rio de Janeiro. Tais meios de transporte traziam novas famílias de imigrantes e produtos para o abastecimento dos moradores da região, além de levar mercadorias para serem vendidas na capital e/ou despachadas nos portos como produtos de exportação, nesse caso, destacando-se o café, que chegava a 1.500 toneladas por ano.
As viagens feitas pelos imigrantes duravam algumas semanas, passando por estradas de terras precárias e, expostos a qualquer tipo de tempo, bem como às investidas de criminosos que focavam nas caravanas. As viagens eram feitas utilizando cavalos, burros, carroças, carroções e mesmo a pé.
Vale também citar que a linha férrea só chegaria à região em 1878, mas já se fazia presente na cidade de Rio Claro desde 1832, cerca de 50 km de Pirassununga. Entretanto, acredita-se que naquele tempo o custo das viagens por trens também eram inviável para a grande parte das famílias de imigrantes que, além de numerosas na maioria das vezes, chegavam ao país com pouco ou nenhum recurso para custear esse e outros tipos de despesas não prioritárias. Portanto, é muito provável que August e sua família tenham enfrentado as dificuldades das trilhas e caminhos com os únicos meios de transporte então disponíveis.
Abaixo, segue um pequeno texto adaptado descrevendo alguns detalhes dessas viagens:
Os Imigrantes na lavoura cafeeira
Milhares de famílias saíam de suas casas, talvez vendendo ou mesmo abandonando-as. Viajando em trens, carroças e até mesmo a pé, carregando todos os seus pertences, percorriam grandes distâncias até os portos para embarque. Com poucas informações sobre o Brasil, ou talvez, informações de que era uma terra promissora, mas selvagem, os emigrantes precaviam-se trazendo toda sorte de bagagens: utensílios domésticos, máquinas de costura, instrumentos musicais e de trabalho, relíquias de família e objetos que lembrassem sua terra natal. Geralmente não possuíam malas, e seus pertences eram transportados em sacos, sacolas e caixas improvisadas.
Os recursos para as passagens algumas vezes eram próprios, mas, na maioria das vezes, subsidiados pelo Governo da Província de São Paulo, no Brasil. Eram embarcados na terceira classe, geralmente localizada nos porões dos navios, e com lotação acima da capacidade. No final do século XIX as viagens já eram feitas em vapores, mais rápidos que os navios a vela, porém com péssimas instalações, pois geralmente eram navios de carga adaptados para o transporte de passageiros. A travessia do Atlântico era realizada entre 15 e 30 dias, e durante a viagem os imigrantes passavam por todos os tipos de situação, como nascimentos, enjoos, doenças, mortes, romances, comida de péssima qualidade, etc.
Chegavam, então, ao porto brasileiro, onde permaneciam algum tempo praticamente confinados, sendo objetos de negociações, intermediadas por intérpretes, entre os fazendeiros interessados ou seus prepostos e os colonos e suas famílias.
Não transcorria em melhores condições a viagem dos imigrantes do porto de desembarque no Brasil até a fazenda onde iriam trabalhar. As estradas eram precárias e o que se chamava de albergues para pernoitar não eram mais do que simples ranchos desabrigados. Embora a fazenda pudesse fornecer carros-de-boi ou tropas para o transporte dos colonos, não era raro terem que caminhar a pé, quando então as crianças, em grupos de 4, eram acomodadas em cestas que as mulas carregavam. Para os velhos e doentes também eram reservados animais ou carros-de-boi.
Como os imigrantes recebiam rações de alimentos durante a viagem, havia parada para as refeições, que eram preparadas por eles próprios. Geralmente eram compostas de carne, arroz, feijão, café, açúcar e toucinho. O preparo da comida exigia a busca de lenha e água, o que resultava em não pouco trabalho. À noite não era raro dormirem no chão, em leitos de folhas. Os mais afortunados traziam arranjos de cama, o que permitia relativo conforto. Havia fazendas que forneciam, à chegada, esses arranjos, bem como os bens necessários ao estabelecimento da família dos colonos. Claro que tudo era debitado em suas contas. Sem entender muito o que se passava, famintos e cansados, tomavam conhecimento do “regulamento da fazenda”, do qual geralmente recebiam cópia. Esse documento tratava dos direitos e deveres de cada colono, compreendendo desde os negócios até os festejos.
(Fonte: Texto “História do Brasil - Os Imigrantes na lavoura cafeeira” - Autoria desconhecida)
Chegada dos Sundfeld’s a Pirassununga
A chegada da Família Sundfeld ao Brasil, juntamente com diversas outras famílias europeias, vindas da Alemanha e Itália, principalmente, está contextualizada nos fatos históricos do país, diretamente relacionados ao desenvolvimento da economia do Segundo Reinado brasileiro, durante parte do século XIX.
A então Província de São Paulo era a principal região produtora de café do país, numa extensão que ia do Vale do Paraíba à região noroeste da província. Os fazendeiros passavam por dificuldades para a captação de escravos provenientes da África para o trabalho nas lavouras devido à pressão política da Inglaterra, que, além de outros motivos, desejava expandir seus mercados consumidores para a venda de seus produtos industrializados (máquinas e ferramentas), produtos que seriam os substitutos da mão-de-obra escrava. Com a consequente necessidade da substituição desses trabalhadores, o Governo Imperial estimulou, com o benefício de um sistema de parceria na produção e, posteriormente, o regime assalariado, a imigração de famílias de agricultores europeus que buscavam oportunidades em novas terras motivados pelas dificuldades que seus países viviam com sucessivas guerras e o desemprego herdado da Revolução Industrial. Esse processo imigratório para o Brasil, iniciado no início do século XIX, por volta de 1817, fortaleceu-se pelos anos de 1880 e estendeu-se até meados do século XX.
Na Província de São Paulo, as primeiras imigrações vieram por volta de 1847 por iniciativa do Senador Nicolau Pereira Campos Vergueiro, proprietário da histórica Fazenda Ibicaba, na região de Limeira. Essa medida foi seguida por diversos outros fazendeiros e, aos poucos, tomou todas as grandes fazendas produtoras de café, ultrapassando as fronteiras da província.
Com os agricultores, vieram para os centros urbanos da região grupos de indivíduos atuando como profissionais liberais e artesãos, entre eles, comerciantes, religiosos, professores, carpinteiros, ferreiros, oleiros, etc, tendo todos relevante participação no seu desenvolvimento social, econômico e cultural.
Grande parte da atividade econômica nas cidades da Província de São Paulo dedicava-se à cultura cafeeira, dentre elas a Freguesia de Pirassununga, que em 1852 já possuía um número razoável de habitantes. É considerada o berço da Família Sundfeld no Brasil. A comunidade era formada por brasileiros, representantes africanos (escravos angolanos e de outras regiões da África) e um número expressivo de portugueses e espanhóis. A zona rural progredia principalmente com o plantio do café (Coffea Arabica), que já necessitava de novos trabalhadores. Começavam a chegar as primeiras famílias italianas de agricultores para formar primeiro núcleo de estrangeiros da província.
No ano de 1865 foram registradas as chegadas das primeiras famílias alemãs em Pirassununga, que nesse mesmo ano foi elevada à categoria de Vila, graças ao seu desenvolvimento sócio-econômico. Dentre essas famílias, além da FAMÍLIA SUNDFELD, destacam-se as famílias DIX, MÜLLER e SCHARLACK, que viriam a ter ligações importantes com os Sundfeld’s através de laços matrimoniais.
Chegavam a Pirassununga August Christian Sundfeld (Augusto Sundfeld) aos 54 anos de idade, sua esposa Suzana Karl Friedrich e seus 7 filhos: Wilhelm (Guilherme), Henriqueta, Johanna (Joana), Germano, Helena, Conrado e Maria.
Os motivos para August ter escolhido Pirassununga ainda são desconhecidos, mas os registros históricos mostram que as famílias eram contratadas em grupos pelos fazendeiros, algumas vezes no próprio país de origem através agentes intermediários e, noutras vezes, no porto de desembarque, já no Brasil. Em seguida eram encaminhadas para as fazendas produtoras de café e comunidades que careciam de trabalhadores.